Descubra como sistemas de transporte público evoluem com IA, IoT e eletrificação. Explore desafios reais, soluções comprovadas e case studies brasileiros que transformam a mobilidade urbana em 2026.
A mobilidade urbana no Brasil está em crise. Segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), 29,4% dos passageiros abandonaram o transporte público desde 2017, enquanto outros 27,5% reduziram drasticamente seu uso. Os motivos são os mesmos há anos: superlotação, longos tempos de espera, infraestrutura precária e falta de integração entre modais. Enquanto isso, os congestionamentos custam ao país aproximadamente 1,5% do PIB anual, reduzindo produtividade e qualidade de vida. Mas há uma mudança em curso: cidades como São Paulo, Belém e Rio de Janeiro já implementam tecnologias que prometem resolver esses problemas estruturais.
Para transformar sistemas de transporte público e recuperar passageiros, gestores precisam de três pilares: 1) eletrificar frotas (redução de 24,6% em emissões); 2) implementar corredores BRT ou faixas exclusivas (aumentam velocidade 45%); 3) integrar modais via aplicativos únicos (MaaS). Somadas, essas estratégias aumentam capacidade em até 45 mil passageiros/hora, reduzem custos operacionais e melhoram a experiência do usuário.
Este artigo oferece um guia estratégico sobre como os sistemas de transporte público estão evoluindo em 2026. Você aprenderá quais são os desafios estruturais que levaram à crise atual, qual tecnologia está sendo implementada (IoT, Big Data, IA), como a eletrificação de frotas reduz emissões e custos, por que BRT e faixas exclusivas otimizam velocidade, e como a integração de modais via MaaS atrai novos passageiros. Incluímos exemplos reais de cidades brasileiras e dados do Novo PAC Mobilidade 2025, que investe R$ 31 bilhões na transformação do setor.
O Que São Sistemas de Transporte Público (E Por Que Evoluem em 2026)
Um sistema de transporte público é um conjunto integrado de modais coletivos (ônibus, metrô, trem, bicicleta compartilhada, patinete) que conecta pessoas às oportunidades urbanas. A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) classifica ônibus como o modal primário, representando 85% das viagens urbanas no Brasil.
No contexto de 2026, o transporte público deixou de ser apenas um serviço de deslocamento. Conforme documentado no marco legal aprovado pelo Senado Federal em dezembro de 2024, o transporte coletivo urbano é agora reconhecido como direito social, dever do Estado e serviço público essencial. Essa mudança institucional reflete uma realidade: as cidades que investem em transporte de qualidade têm 23% menos congestionamento, segundo estudos do ITDP Brasil.
Por Que os Sistemas Estão Mudando Agora?
Três fatores forçam a evolução simultânea:
a) Crise de Demanda: Com a queda de 45% em passageiros (2013-2023), operadoras perderam receita. A resposta instintiva (reduzir frotas) piorou qualidade, criando círculo vicioso. Agora, as cidades reconhecem que qualidade atrai demanda, não vice-versa.
b) Agenda Climática: O transporte responde por 47% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. A COP30 em Belém (2025) e compromissos internacionais forçam descarbonização. O Novo PAC Mobilidade investe R$ 16,4 bilhões especificamente em eletrificação.
c) Tecnologia Disponível: IoT, Big Data e IA evoluíram o bastante para otimizar rotas em tempo real, prever demanda e integrar modais em aplicativos únicos. Nilo Goncalves Simao Junior, especialista em sistemas de transporte urbano, reforça: “A tecnologia agora é ferramenta viável, não luxo”.
Diferença: Transporte Público vs Mobilidade Urbana
| Termo | Escopo | Foco | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Transporte Público | Modal único (ônibus, metrô) | Mover pessoas de A para B | Linha de ônibus tradicional |
| Mobilidade Urbana | Múltiplos modais integrados | Experiência completa de deslocamento | App que combina ônibus + bike + metrô em uma viagem |
| Mobilidade Inteligente | Modais + dados + IA | Eficiência, sustentabilidade, acessibilidade | MaaS com previsão de demanda e pagamento unificado |
Os Desafios Estruturais do Transporte Público Brasileiro
O número de passageiros mensais caiu de 390 milhões (2013) para 214 milhões (2023), uma queda de 45%. Essa redução não foi distribuída uniformemente: a produtividade por veículo caiu de 631 passageiros/dia (1995) para 295 (2023)—uma perda de 53%.
A consequência imediata foi o desequilíbrio financeiro. As operadoras responderam reduzindo linhas e frequência, o que piorou ainda mais a qualidade (tempos de espera maiores, superlotação em horários de pico). Pesquisa Agenda Urbana 2024 com 11,7 mil pessoas revelou que 64,8% dos paulistas consideraram inadequado o tempo de espera; em São Paulo, o deslocamento médio no transporte público alcança 2h47 diárias.
Insight: A redução de oferta foi resposta racional a curto prazo, mas estrategicamente contraproducente. Cidades que investem em qualidade recuperam demanda.
Superlotação e Infraestrutura Precária
Superlotação permanece como problema nº 1 nos horários de pico. Em São Paulo, pesquisa da CET mostra que ônibus em faixas exclusivas têm 38% melhoria em velocidade, reduzindo tempo de viagem em 38 minutos/dia (1,9 milhões de horas diárias no total). Sem faixas exclusivas, esse ganho não existe.
Infraestrutura precária inclui:
- Pavimento inadequado (prejudica suspensão de veículos)
- Falta de estações integradas e terminais
- Ausência de sistemas de bilhetagem eletrônica em 82,4% dos municípios brasileiros
- Falta de ciclovias e calçadas para última milha
Falta de Regulação Nacional e Integração Intermunicipal
Segundo especialista em mobilidade Rafael Calábria (audiência Câmara Federal, agosto 2025), o Brasil carece de regulamentação nacional com padrão único de qualidade. Isso resulta em:
- Cada município opera seu próprio sistema (sem integração)
- Bilhetes não funcionam em cidades vizinhas
- Dados operacionais fragmentados
- Impossibilidade de escalabilidade de inovações
Dados: Apenas 36,5% dos municípios com 250+ mil habitantes tinham plano de mobilidade urbana em 2020.
Congestionamento Como Inimigo Silencioso
Congestionamentos custam 1,5% do PIB brasileiro anual e aumentam tempos de viagem continuamente. Em São Paulo, usuários de carro observaram melhorias nos tempos, enquanto usuários de transporte público viram piorias—incentivando ainda mais a migração para automóvel individual.
Ciclo Vicioso Atual:
Menos passageiros → Redução de frotas → Pior qualidade → Mais pessoas compram carro → Mais trânsito → Transporte público fica mais lento → Ainda menos passageiros
Desafios Principais do Transporte Público Brasileiro
| Desafio | Dados | Impacto | Status |
|---|---|---|---|
| Queda de Passageiros | -45% em 10 anos (390M → 214M/mês) | Perda de receita, redução de frotas | 🔴 Crítico |
| Superlotação nos Picos | Sem dados limite de capacidade | Desconforto, preferência por carro | 🔴 Crítico |
| Tempos de Viagem Longos | 2h47 em São Paulo (vs 25min em cidades com bom BRT) | Redução de produtividade, evasão de passageiros | 🔴 Crítico |
| Falta de Integração Multimodal | 82,4% sem bilhetagem integrada | Usuário precisa de múltiplos bilhetes/apps | 🟠 Alto |
| Infraestrutura Precária | 36,5% plano de mobilidade (cidades 250k+) | Impossibilidade de operação eficiente | 🟠 Alto |
| Custos Operacionais Altos | Diesel + manutenção elevada | Tarifas caras, subsídios inadequados | 🟠 Alto |
| Falta de Regulação Nacional | Cada município é um sistema isolado | Sem escalabilidade de inovações | 🟡 Médio |
Tecnologias Que Estão Transformando o Setor em 2026
A transformação digital do transporte público repousa em três pilares tecnológicos que trabalham em sinergia:
Inteligência das Coisas (IoT) – Sensores em ônibus, semáforos e infraestrutura coletam dados em tempo real: localização do veículo, número de passageiros, consumo de combustível, condições da via. Uma frota de 100 ônibus gera 100 mil eventos por hora.
Big Data analisa esses eventos para identificar padrões: horários de pico, rotas congestionadas, preferências de usuários. O ITDP Brasil documentou que cidades com análise de Big Data evitam 23% mais congestionamentos ao otimizar rotas preventivamente.
Inteligência Artificial toma decisões autônomas baseadas nesses padrões. Exemplos:
- Ônibus inteligente ajusta velocidade com base no tráfego real (não velocidade fixa)
- Algoritmos preveem demanda 2 horas antes e enviam veículos adicionais
- Semáforos mudam fases automaticamente para priorizar transporte coletivo
Resultado Prático: A Prefeitura de São Paulo implementou IA em 2024 e reduziu tempo médio de viagem em 12% apenas ajustando semáforos para priorizar ônibus.
Aplicativos Integrados e Geolocalização em Tempo Real
Os aplicativos de mobilidade urbana evoluíram de “rastreador de ônibus” para plataforma de experiência completa. Funcionalidades atuais:
- Localização em tempo real do veículo (precisão de 5 metros)
- Cálculo de rotas inteligentes sugerindo melhor combinação de modais
- Previsão de chegada com margem de erro <2 minutos
- Integração com metrô, bike, patinete em um único app
- Pagamento digital único (carteira, QR Code, aproximação)
Exemplo Real: O aplicativo da Guarupass (bilhetagem para Guarulhos) integra cartões com chip + aproximação NFC, reduzindo tempo de embarque em 40% e aumentando segurança contra fraudes.
Bilhetagem Eletrônica Integrada
Enquanto 82,4% dos municípios ainda usam bilhetes de papel, cidades avançadas implementaram integração eletrônica:
- São Paulo: Cartão único para ônibus, metrô, trem (VIVA Card)
- Belém: Sistema de bilhetagem integrada no BRT (Centro de Controle Operacional com fibra óptica)
- Rio de Janeiro: Pagamento por aproximação NFC
Benefícios comprovados:
- ✅ Redução de fraude tarifária (biometria facial monitora beneficiários)
- ✅ Dados granulares de deslocamento → otimização de rotas
- ✅ Experiência ágil → atração de novos passageiros
Tecnologias-Chave Transformando Transporte Público em 2026
- 🤖 Inteligência Artificial → Previsão de demanda, otimização de rotas, semáforos inteligentes
- 📡 IoT (Internet das Coisas) → Sensores em veículos e infraestrutura (localização, manutenção preditiva)
- 📊 Big Data Analytics → Análise de padrões de deslocamento, identificação de gargalos
- 📱 Aplicativos Integrados → Planejamento de viagem multimodal, geolocalização em tempo real
- 💳 Bilhetagem Eletrônica → Cartão único, pagamento digital, redução de fraude
- 🛰️ Geolocalização GPS Avançada → Precisão <5m, tracking em tempo real
- 🔐 Biometria Facial → Validação de benefícios tarifários, segurança
- ☁️ Cloud Computing → Infraestrutura escalável para processar dados massivos
Eletrificação de Frotas: O Futuro Sustentável Já Começou
A eletrificação de ônibus é a estratégia com melhor retorno ambiental e econômico para descarbonizar cidades. Dados do ITDP Brasil em parceria com Scipopulis (2025):
- ✅ 14.146 ônibus a diesel já podem ser substituídos por elétricos sem impacto operacional
- ✅ Isso evitaria 437,7 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano (redução de 24,6%)
- ✅ Economia econômica: R$ 54,4 a R$ 62,1 milhões anuais apenas considerando Custo Social do Carbono
- ✅ Impactaria 41% da população brasileira (nas 21 regiões metropolitanas com maior potencial)
Contexto político: O Novo PAC Mobilidade 2025 alocou R$ 16,4 bilhões especificamente para renovação de frotas. O PAC 2024 já financiou 2.296 ônibus elétricos + 3.015 Euro 6 (menos poluentes).
Viabilidade Técnica e Operacional
Um mito persiste: “Ônibus elétricos não têm autonomia para operar em cidades brasileiras.” Falso. O estudo do ITDP analisou dados de 18 sistemas urbanos e encontrou que:
- Ônibus atual opera em rotas com consumo energético entre 80-140 kWh/100km
- Ônibus elétricos modernos (ex: BYD K11, Eletra) oferecem autonomia de 150-280km com recarga única
- A maioria das rotas urbanas<100km, viável com tecnologia atual
Requisitos críticos:
- Infraestrutura de recarga adequada (estratégia multifrente: lenta nas bases, rápida nas terminais)
- Compras públicas coordenadas entre União, estados e municípios (para dar escala e reduzir custos)
- Gestão de dados robusta (rastreamento de degradação de bateria, previsão de manutenção)
Case Study: São Paulo Lidera Eletrificação
A capital paulista opera 789 ônibus elétricos de um total de 13.200 veículos. A Parceria Zebra (C40 Cities + ICCT Brasil) lançou em 2025 um estudo detalhado sobre “Implantação de Ônibus Elétricos em São Paulo” documentando:
- ✅ 20 municípios aderiram a ônibus elétricos via Novo PAC
- ✅ Economia operacional: redução de 30% em custos de manutenção (sem óleo, menos peças móveis)
- ✅ Ganho ambiental: 789 ônibus elétricos evitam ~50 mil toneladas CO₂/ano
- ✅ Atração de usuários: percepção de qualidade ↑ 34% (menos ruído, menos poluição)
Próximo passo: Meta de 300 mil ônibus elétricos em operação no Brasil até 2035 (conforme Setor dos Transportes).
Impacto Ambiental e Econômico da Eletrificação (Cenário 14.146 Ônibus)
💡 Insight: O investimento adicional de 35% é compensado em 5-6 anos pela economia operacional + custo social de carbono.
BRT e Faixas Exclusivas: Otimizando Velocidade e Fluxo
Gestores municipais frequentemente perguntam: “BRT ou faixa exclusiva?” A resposta depende da demanda prevista:
Faixas Exclusivas (ideal até 8.000 passageiros/hora):
- Menor custo de implementação (apenas pintura + sinalização)
- Implantação rápida (meses, não anos)
- Ganho documentado em São Paulo: velocidade ↑45%, tempo viagem -38min/dia
- Requere: espaço viário disponível, disciplina de enforcement
BRT – Bus Rapid Transit (ideal 8.000-45.000 passageiros/hora):
- Custo de infraestrutura: R$ 15 milhões por quilômetro (exemplo Belém)
- Capacidade superior: até 45 mil passageiros/hora
- Requisitos: via segregada, estações em nível (embarque facilitado), pré-pagamento, veículos articulados
- Tempo de implementação: 2-3 anos
| Critério | Faixa Exclusiva | BRT |
|---|---|---|
| Demanda Ideal | Até 8.000 pax/h | 8.000-45.000 pax/h |
| Investimento/km | R$ 2-3M | R$ 15M |
| Tempo Implementação | 3-6 meses | 2-3 anos |
| Custo Operacional | Baixo | Médio |
| Capacidade/Eficiência | Média | Alta |
| Exemplo BR | São Paulo (291km) | Belém (em construção) |
Tecnologia Embarcada em BRT: Caso Belém
O BRT de Belém (em implementação 2024-2025) exemplifica evolução tecnológica:
- ✅ 40 ônibus elétricos (corredor expresso)
- ✅ 92 ônibus a diesel Euro 6 (rotas complementares)
- ✅ Centro de Controle Operacional (fibra óptica, 98% pronto)
- ✅ Anel Óptico Metropolitano (rodovia Augusto Montenegro + BR-316)
- ✅ Integração com ciclovias + calçadas com arborização
- ✅ Estações Cidadania (acesso a serviços públicos)
Previsão: Atender 20-25 mil passageiros/hora com tecnologia moderna integrada.
Efetividade Documentada das Faixas Exclusivas
Estudo da CET São Paulo (2025) em 291km de faixas exclusivas:
| Métrica | Resultado |
|---|---|
| Aumento de velocidade | +45,1% (14,2 → 20,6 km/h) |
| Redução de tempo viagem | -38 minutos/dia por passageiro |
| Horas economizadas diárias | 1,9 milhões (população total) |
| Aprovação de usuários | 60,7% favor faixas/BRT (CNT) |
Efeito colateral positivo: Faixas exclusivas atraem novos passageiros pela percepção de confiabilidade (“meu ônibus chega na hora”).
Integração Multimodal e Mobilidade como Serviço (MaaS)
O Conceito MaaS (Mobility as a Service)
Mobilidade como Serviço abandona a ideia de modais isolados em favor de um ecossistema integrado. Usuário planeja viagem, paga única vez, e o sistema escolhe melhor combinação de modais:
- ✅ Início: Apartamento (localização A)
- ✅ Trajeto 1: 500m de caminhada + bicicleta compartilhada (2km)
- ✅ Trajeto 2: Ônibus na faixa exclusiva (5km)
- ✅ Trajeto 3: Metrô (3km)
- ✅ Fim: Escritório (localização B)
Tudo em um único app, um único pagamento.
Tecnologias Que Viabilizam MaaS
- Aplicativos Integrados: Google Maps já oferece sugestões de rotas combinando ônibus + metrô + bike em várias cidades
- Bilhetagem Eletrônica Unificada: Cartão único funciona em todos os modais
- API Abertas: Operadores compartilham dados (horários, rotas, lotação) via plataformas neutras
- Pagamento Descentralizado: QR Code, aproximação NFC, integração com bancos digitais
- Dados em Tempo Real: IoT + Cloud permitem visualização de disponibilidade de bikes, ônibus, vagas de metrô
Tendências 2026-2027: Mudanças Que Vêm
Segundo análise da Enelx Mobilidade (2025), as cidades evoluem em direção a:
- Transportes sob Demanda (ex: microônibus que aparecem onde/quando usuário pedir)
- Veículos Autônomos (primeiros pilotos em geração controlada)
- Mobilidade Elétrica Total (bicicletas elétricas, patinetes, ônibus, carros compartilhados)
- Tarifa Zero Integrada (subsídio público engloba todos os modais em um único bilhete)
- Cidades Inteligentes (semáforos, sensores, monitoramento centralizado)
Passos para Implementar MaaS em Uma Cidade
- Diagnóstico de Modais Existentes → Inventário completo (ônibus, metrô, bikes, etc)
- Padronização de Dados → Todos os operadores publicam horários/rotas em formato único (GTFS)
- Escolha de Plataforma → Desenvolver app próprio ou usar parceiro (ex: Google, Citymapper)
- Integração de Pagamento → Contratação de gateway de pagamento único (Visa, carteiras digitais)
- Teste Piloto → Lançar em 2-3 corredores com 10-20% da população
- Coleta de Feedback → Ajustar interface, adicionar funcionalidades (notificações, acessibilidade)
- Rollout Completo → Expandir gradualmente a toda a cidade
- Monitoramento e Otimização → Usar dados para melhorar oferta de modais
Exemplos Práticos de Sucesso em Cidades Brasileiras
Case Study 1: São Paulo – Liderança em Tecnologia
Contexto: 13.200 ônibus, 13 milhões de habitantes, 291km de faixas exclusivas.
Implementações 2024-2025:
- ✅ 789 ônibus elétricos (6% da frota, meta 100% até 2035)
- ✅ Sistema de semáforos inteligentes reduz congestionamento em 12% (dado interno SP Trans)
- ✅ Aplicativo integrado (VIVA) conecta ônibus + metrô + trem
- ✅ Faixas exclusivas economizam 1,9M horas/dia para população total
Resultado: Recuperação gradual de passageiros após pandemia; taxa de aprovação da qualidade ↑ 23%.
Case Study 2: Belém – BRT Como Solução de Médio-Porte
Contexto: 1,5M habitantes, região metropolitana com mobilidade histórica precária.
Projeto Belém BRT (2024-2025):
- 📍 Extensão: 40km de corredores integrados
- 🚌 Frota: 40 ônibus elétricos + 92 a diesel Euro 6
- 💻 Tecnologia: Centro de Controle Operacional com fibra óptica, monitoramento em tempo real
- 🚴 Integração: Ciclovias, calçadas acessíveis, estações cidadania
- 💰 Custo: Financiamento JICA (agência japonesa) cobre 78% do projeto
Capacidade Projetada: 20-25 mil passageiros/hora (reduzindo congestionamento metropolitano em até 18%).
Case Study 3: Goiânia – Eletrificação Acelerada
Situação: Segunda maior frota diesel entre as capitais brasileiras.
Estratégia Goiânia (Novo PAC 2025):
- 🔋 Potencial de eletrificação: 2.100 ônibus passíveis de substituição imediata
- ⚡ Investimento federal: R$ 1,8 bilhão (Novo PAC)
- 🏭 Infraestrutura: 8 centros de recarga em construção
- 📊 Benefício ambiental: 156 mil toneladas CO₂ evitadas/ano
Status: Primeiros 150 ônibus elétricos já operando (2025), meta 60% eletrificação até 2027.
Checklist – Itens Essenciais de Uma Cidade Inteligente em Mobilidade
- ✓ Aplicativo integrado com geolocalização em tempo real
- ✓ Bilhetagem eletrônica única para todos os modais
- ✓ Ônibus com 50%+ da frota eletrificada
- ✓ Faixas exclusivas ou BRT cobrindo rotas principais
- ✓ Semáforos inteligentes com priorização de transporte coletivo
- ✓ Ciclovias conectadas ao sistema de transporte público
- ✓ Dados abertos (GTFS, APIs públicas) para inovação privada
- ✓ Centros de controle operacional com monitoramento em tempo real
- ✓ Plano de mobilidade urbana aprovado (legislação)
- ✓ Tarifa integrada ou bilhete único
Perguntas Frequentes (FAQ Estruturado)
Quanto custa implementar um sistema BRT em uma cidade brasileira?
O custo varia conforme extensão e tecnologia. A referência é R$ 15 milhões por quilômetro de infraestrutura básica (via segregada, estações, controle operacional), conforme projeto Belém BRT financiado pela JICA. Uma cidade de médio porte (500k habitantes) precisaria de 15-20km, totalizando R$ 225-300 milhões. Financiamento público (Novo PAC, bancos de desenvolvimento) cobre 70-80%. Retorno financeiro em 10-15 anos via economia operacional + redução de congestionamento.
É possível operar ônibus elétricos em clima tropical como Brasil sem perder autonomia?
Sim. Estudos do ITDP Brasil comprovam que ônibus elétricos modernos (autonomia 150-280km) cobrem 95% das rotas urbanas brasileiras. Clima tropical causa degradação 15-20% maior de bateria (vs. clima temperado), mas está dentro de margens operacionais. Estratégia: recarga lenta noturna em bases + recarga rápida em terminais intermediárias. Belém BRT já valida esse modelo.
Qual a maior barreira para implementar Mobilidade como Serviço (MaaS) em cidades brasileiras?
Não é tecnologia (soluções já existem). É integração de dados fragmentados. Cada operador de ônibus, metrô, bike compartilhada usa sistema isolado. Solução: regulação municipal obrigando publicação de dados em formato padrão (GTFS), criando plataforma neutra. Custo baixo; benefício alto. Cidades como São Paulo começam isso agora.
Quanto tempo leva para eletrificar uma frota de ônibus inteira?
Depende da escala. Um ônibus eletrônico leva 3-4 meses para fabricação + entrega. Para frota de 500 ônibus, considerando 50 unidades/mês, levaria 10 meses de aquisição. São Paulo está em 6 anos (2019-2025) para 789 ônibus (6% de 13.200). Meta realista: 50% eletrificação em 8-10 anos com investimento federal. Goiânia projeta 60% até 2027 (agressivo).
Como medir se um sistema de transporte público “inteligente” realmente funciona?
Métricas principais: 1) Tempo médio de viagem (deve reduzir 20-30%); 2) Passageiros/hora (capacidade); 3) Aprovação de usuários (pesquisa trimestral); 4) Redução de emissões (CO₂); 5) Frequência/confiabilidade (% de viagens no horário). São Paulo documenta ganho em todas. Se 2+ métricas melhoram, sistema funciona. Transparência de dados é crítica.
Conclusão e Próximos Passos
Os sistemas de transporte público no Brasil enfrentam crise estrutural: queda de 45% em passageiros, infraestrutura precária, falta de integração. Mas há solução. Três estratégias comprovadas transformam o setor em 2026:
- Eletrificação de frotas (reduz 24,6% emissões, economiza R$ 62M/ano em 14.146 ônibus)
- BRT e faixas exclusivas (aumentam velocidade 45%, recuperam 1,9M horas/dia em São Paulo)
- Integração multimodal via MaaS (melhora experiência de usuário, atrai novos passageiros)
O Novo PAC Mobilidade investe R$ 31 bilhões (2025-2030) justamente nessas três frentes. Cidades como São Paulo, Belém e Goiânia já implementam. Nilo Goncalves Simao Junior, especialista em sistemas de transporte urbano, resumo bem: “A mudança é operacional, política e tecnológica. Não é escolher uma solução; é combinar as três estratégias simultaneamente”.









